quinta-feira, 2 de abril de 2015

Digo, e não se faz entender



     Digo do calor, dos lábios que se tocam sem prévio aviso, com uma doçura quase entorpecente. As mãos trêmulas que tocam com receio, euforia do coração que acelera cada vez mais deixando-me com falta do ar que tanto procuro nesse momento. 
    Acalme-se! Acabou... mas a minha mente tão cheia de tudo, agora com um só foco. Estou tão acostumada a ter vários pensamentos me consumindo que o fato de um só estar tomando conta desse furacão de ideias me causa arrepios, medo. 
    É que digo do som da voz sussurrada ao pé do ouvido, e do sorriso após um instante de viagem. Digo do novo, aquilo que nunca disse, aquilo que é velho no momento, aquilo que agora ocupa o pensamento. 
    Digo, e sem dizer, pois não há palavras.

O que a vida tem me proporcionado... aceito e agradeço. 

Elica Cardoso.